Escrita de uma narrativa
“O verdadeiro amor”
(…)
Dir-lhe-ei,
“Eu sou Joe e tu és o meu verdadeiro amor”.
Hoje é o dia de São Valentim, e Charity chegou, ela não
sabia muito bem o que ia acontecer e ficou à espera que eu ou alguém a
recebesse, para ela seria normal ser recebida por uma pessoa, não por um programa
de computador como eu, portanto eu fiquei nervoso e intacto como um cubo de
gelo.
Eu ganhei coragem e disse, “Eu sou Joe e tu és o meu
verdadeiro amor”. Charity, assustada, porque não sabia de onde vinha a voz,
disse, “Quem está aí?”; logo de seguida eu disse para ela olhar para mim, para
o ecrã de computador; ela olhou com aqueles olhos grandes como azeitonas e eu
vi o quanto ela era linda e ideal para mim, mas será que ela me aceita como o seu
amor?
Charity, confusa e com medo, disse, “Tu falas? Tu tens
sentimentos? Mas tu és um computador.” Eu disse depois, já mais calmo com o
brilho dos olhos dela, “Eu escolhi-te como o amor de Milton, que infelizmente
foi preso, eu sou bastante semelhante a ele, não em aparência mas na
personalidade, ele é o meu criador e sabemos tudo um sobre o outro; Charity, tu
és a minha alma gémea”. Ao ouvir isto, ela ficou uns minutos em silêncio e
pensativa, sem saber o que fazer ou dizer; de seguida eu disse, sem ela ter
sequer respondido, “Eu amo-te, esperei a minha vida toda por ti”. Neste momento
Charity desmaiou e ficou até ao dia seguinte a descansar, eu olhei toda a noite
para ela e não vi nenhum defeito, vi nela tudo o que desejava.
Quando
ela acordou já mais calma, pediu-me que lhe contasse a verdadeira razão pela
qual ela lá estava, eu expliquei-lhe tudo, e como Charity ficou curiosa em
conhecer o meu famoso criador, logo de seguida metemos mãos à obra e em
primeiro lugar ela foi ter com ele. Na prisão, Milton, muito admirado com a
visita da sua amada que já sabia do esquema todo e que apenas se apresentou a
Milton lhe perguntou, “O que posso fazer para que saias deste sítio horrível?”,
e Milton respondeu, “Tu és tão inteligente quanto eu, por tanto proponho-te que
cries o teu próprio programa tal como eu fiz e que o transfiras para o
escritório ou então, no caso de não quereres correr esse risco, algo que
compreendo, teremos de esperar mais três anos.” Charity, com medo de dar uma
resposta, pediu para pensar, até porque não sabia como fazer o tal programa e
até se seria capaz…
Depois
desta conversa, ela foi falar comigo, pedindo que eu a ajudasse e aconselha-se.
Eu, claro que queria Milton de novo no escritório, mas seria muito arriscado
para ela, então decidi dizer-lhe, “Charity, acho que devias avançar com a
criação do programa, até porque tens a ajuda dos rascunhos que Milton nos
deixou e não sei se acabarás a tempo de o retirar da prisão, mas o programa
sempre pode ficar com uma companhia para mim”. Ela não se opôs ao que eu lhe
disse, abanou a cabeça, sorrindo, e disse-me, “Vamos ao trabalho, amanhã
visitarei de novo o teu criador para lhe dizer a minha decisão. Ah e obrigada,
Joe”. Notou-se na cara dela que tinha gostado de conhecer Milton e fiquei feliz
por isso.
No
dia seguinte, Charity foi toda entusiasmada ter com Milton e contou-lhe tudo.
Ela contente, deu um grande abraço à jovem. A partir desse dia, ela empenhou-se
de corpo e alma na criação do programa com a minha ajuda e todas as manhãs
Charity visitava o seu amado, pois eles apaixonaram-se.
Os
anos passaram e ao fim de quase três anos o programa já estava quase concluído;
no dia que Milton saiu, o programa ficou pronto e tinha sido inaugurado com o
nome de Raquel, escolhido por mim.
Ao
conhecer pessoalmente a Raquel, apaixonei-me, pois ela era tal e qual a sua
criadora, doce e delicada, e já ando a pensar em pedir-la em namoro e dir-lhe-ei,
“ Tu, sim, és o meu verdadeiro amor.”
Contente
por agora poder ser feliz com o seu verdadeiro amor, Milton pediu Charity em
casamento. Ela aceitou e viveram felizes no escritório comigo e com a minha
recente namorada, Raquel.
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